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Algumas considerações sobre a caixa Dibbuk

Realidade ou ficção, a questão é: o que havia dentro da caixa dibbuk?  Após algumas semanas de pesquisas (afinal, convenhamos que o acesso a esse tipo de informação não é algo exatamente fácil) eu consegui chegar a algumas conclusões que gostaria de compartilhar com vocês. Para que você fique mais a par do que falarei aqui, eu sugiro que visite os seguintes artigos:

1º. O que é um dibbuk (ou dybbuk)?
2º - A verdadeira história sobra a caixa dibbuk (segundo Kevin Mannis)

Sobre a caixa dibbuk

Pelas descrições e fotos trata-se do que deveria ser uma pequena adega portátil. Ela foi levada para os Estados Unidos por uma sobrevivente do Holocausto, uma mulher polonesa-judia que conseguiu escapar do campo de concentração – onde perdeu toda a sua família – e fugir para a Espanha, onde pela lógica e pela cronologia dos eventos, deve ter adquirido a caixa que levou consigo quando migrou para os Estados Unidos. Foi colocada à venda em 2001 pela família desta senhora, após ela falecer aos 103 anos de idade.

Caixa Dibbuk Interior
Interior da Caixa Dibbuk
A caixa tem inscrições em hebraico entalhadas em seu exterior. Muitas fontes afirmam ser (e pelo que pesquisei realmente parece ser) o Shemá Israel. De acordo com a descrição feita pelos compradores, a caixa guarda em seu interior um pedaço de granito com a palavra Shalom grafada em hebraico (que significa “a paz”), duas mechas de cabelos, sendo uma de cabelos loiros e a outra, uma trança de cabelos escuros, alguns botões de rosa secos, um cálice dourado de uso ritualístico, duas moedas americanas de meados dos anos 20 e um castiçal de ferro fundido bastante enegrecido. Mas, de fato, garrafa de vinho não havia. Ou seja, aquela caixa provavelmente não tinha servido para o propósito para o qual havia sido construída.

Conforme a história contada pelo primeiro comprador, Kevin Mannis, a neta daquela senhora polonesa havia dito que a caixa não deveria nunca ser aberta e que sua avó havia dito que ela continha um dibbuk e um keselim. Muito bem, um dibbuk a gente sabe o que é, mas, keselim, bom, eu concordo com a opinião de alguns pesquisadores que esta palavra deve ter sido pronunciada de forma errada ou o comprador entendeu errado. Uma palavra semelhante e que faria sentido no contexto, é kesem (קֶסֶם). Kesem é o equivalente hebraico a magia ou feitiçaria em nosso idioma.

Então, eu entendo que a senhora quis dizer à sua neta que havia um espírito maligno dentro da caixa, algo que estava sendo contido por um kesem e por isso a caixa não deveria ser jamais aberta. Pelo contrário, ela esperava que fosse enterrada junto com ela, o que não aconteceu porque um rabino ortodoxo não deixou.

Acontece que a caixa foi aberta, mexida e remexida. O restante da história eu acho que vocês já conhecem, pois foi contada abertamente por Kevin Mannis, o primeiro comprador, quando ele tentava passar a caixa para frente através do eBay, já que não tinha tido sorte em tentar vende-la para pessoas comuns em sua loja de antiguidades e móveis restaurados.

Na época da venda pelo eBay ele sequer colocou um lance mínimo e acabou a vendendo por US$280 em fevereiro de 2004 para um estudante universitário de nome Iosef que era colega de quarto de Brian Grubbs que parecia interessado em assuntos relacionados ao sobrenatural. Por que vendeu? Porque tinha medo de simplesmente destruir a caixa e sofrer as consequências, já que não sabia com o que estava lidando. E olha que ele parecia ser até então um cara bastante cético, viu?

Bom, após a aquisição da caixa, Brian começou a ter problemas com infestações de insetos, com seus cabelos caindo e tudo mais. Então ele vendeu a caixa para Jason Haxton, diretor de um museu, colecionador e pesquisador de antiguidades que colaborava com diversos outros museus. Foi ele quem escreveu o livro em qual o filme Possessão foi baseado e é atual “guardião” da caixa dibbuk.

Em uma entrevista, Jason disse que quando comprou a caixa do universitário, conseguiu que ele entrasse em contato com Kevin Mannis que o ajudou a conseguir contato com a família que havia vendido a caixa para ele. Então a família resolveu abrir o jogo e contou que aquela caixa era uma forma que a falecida senhora havia achado para conectar-se ao reino espiritual após ter sofrido o inferno durante o Holocausto, inclusive muitas perdas de entes queridos. Seria uma espécie do que chamaríamos de altar. Mas algo deu errado e bom.... Daí para frente eles não quiseram revelar nada mais. Ainda que soubessem que tinha sido um erro passar aquela caixa para frente, não queriam mais saber dela ou de ajudar quem quer que fosse que quisesse tirar proveito da história da família.

Jason Haxton permanece com a caixa dibbuk até os dias de hoje e para mantê-la fechada, a encarcerou dentro de uma arca feita com madeira de acácia e lacrada com ouro seguindo as instruções de alguns rabinos. A que ele vem exibindo em fotos e até mesmo emprestado para exibições em museus e amostras é obviamente uma réplica, como podem ver na imagem abaixo.

Réplica da Caixa Dibbuk original

Considerações finais

Essa história em partes me parece verídica. Entendo que há a questão de sugestão, mas também entendo que Kevin Mannis era cético até ver sua vida virando de pernas para o ar após adquirir a tal caixa. É importante dizer que apesar da mãe dele ter confirmado o que aconteceu, assim como a vendedora que nunca mais apareceu na loja, os irmãos e cunhada de Kevin negaram a história que ele contou sobre os pesadelos.

Outra questão é que aparentemente após consultar diversas autoridades no assunto, Jason Haxton conseguiu uma forma de selar novamente o que quer que haja naquela caixa e está feliz em ser o atual “guardião” dessa relíquia assombrosa.

Eu tenho para mim que toda lenda tem um fundo de verdade e nem tudo é pura invenção no mundo da ficção. Vejamos, não é novidade para ninguém ver fantasmas, espíritos e toda sorte de coisas sobrenaturais sendo aprisionadas em caixas, sejam em filmes (tipo Caça-Fantasmas), sejam nesses programas de investigação paranormal. Então por que não uma caixa com um dybbuk? Quem sabe? O que vocês acham de tudo isso?

Então, meus leitores, aqui eu acho que encerro meus artigos sobre este assunto. Não que não seja deveras intrigante e que não haja muito mais do que se falar, mas existem outros universos a serem explorados. Espero que tenham gostado. Até a próxima!