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O que é um Dibbuk?

Acredito que alguns dos meus leitores já viram este termo por aí e até mesmo leram descrições equivocadas sobre o que é um dybbuk. Após algumas pesquisas em fontes confiáveis eu resolvi trazer para vocês um pouco das origens e conceitos sobre tal "criatura" tão triste e malévola.

Dybbuk, por Ephraim Moshe Lilien (1874–1925)

Origem, conceito, possessão e exorcismo

No folclore judaico e na crença popular um dybbuk (também grafado como dibbuk e no plural, dybbukim ou dibbukim) é um espírito maligno que entra no corpo de uma pessoa viva, adere-se à sua alma e causa doenças mentais em sua vítima que passa a apresentar uma segunda personalidade sobre a qual não tem qualquer controle ou nem mesmo conhecimento.

O termo dybbuk, derivado da expressão hebraica dibbuk me-ru'aḥ ra'ah ("uma clivagem de um espírito maligno"), ou dibbuk min ḥa-hiẓonim (algo como "aderência do lado de fora"), foi usado pela primeira vez no século XVII, a partir da língua falada por judeus alemães e poloneses, ainda que histórias de possessão e exorcismo tenham aparecido pela primeira vez no século XVI entre os cabalistas Safed (na Terra de Israel).

De início, o dibbuk era considerado uma espécie de demônio que entrava no corpo de uma pessoa doente. Mais tarde uma combinação de crenças da época em ambiente não-judaico e crenças populares judaicas influenciadas pela Cabala, deram origem à concepção de que os dybbukim eram espíritos de pessoas mortas que haviam cometido tantos pecados durante a sua vida que não conseguiam seguir adiante, fosse para o céu ou para Gehenna.

Sendo assim, eles buscavam hospedagem no corpo de pessoas vivas. Acredita-se que poderiam possuir sem autorização os corpos tanto de pessoas que eram próximas a eles quando estavam vivos quanto o corpo de pessoas que simplesmente haviam cometido um grande pecado e dado brecha para o dybbuk entrar.

De acordo com alguns pesquisadores e autoridades no assunto, a ideia da possessão assim como a do exorcismo de espíritos, baseia-se na doutrina Gilgul (transmigração da alma), encontrado no Zohar e em outras fontes medievais.

E uma vez dentro, somente um grande rabino, geralmente um cabalista, conseguiria os retirar de lá através do exorcismo, no qual o dybbuk seria forçado a renunciar ao controle sobre a vítima e partir para onde tinha que ir. Há também uma versão que uma vez que o dybbuk tivesse atingido seu intento quando possuiu aquele corpo, ele o deixaria por vontade própria e partiria.

Sim, meu caro leitor, o povo judeu também realiza exorcismos e os demônios judaicos, assim como os de outras tradições, gostam de habitar pessoas ou apenas de submetê-las de vez em quando. De acordo com algumas fontes e pesquisas, não só há muitas discussões sobre demônios na literatura rabínica, mas também, há muitos feitiços dirigidos contra eles. ;)

Dybbuk nas produções artísticas e culturais dos Séculos XX e XXI

Somente em 1914, o conceito do dybbuk foi exposto para a consciência judaica moderna por intermédio da peça teatral The Dybbuk (Der Dibuk) escrita pelo pesquisador e dramaturgo Russo-Judeu S. An-Ski (também conhecido como S.Ansky).

Com algumas mudanças na estrutura do enredo, a peça foi levada às telas dos cinemas em 1937 e se tornou um grande clássico em idioma iídiche (yiddish).

Nos anos que se seguiram, muitas histórias envolvendo os dybbuk surgiram por toda a Europa e não demorou muito para que chegassem aos ouvidos dos escritores e produtores de filmes norte-americanos e, consequentemente, aos olhos e ouvidos dos aficionados por produções literárias, televisivas e cinematográficas do gênero de terror.

O filme mais recente de que tenho notícia que tem algo em seu enredo relacionado aos dybbukim é de 2015 e trata-se do terceiro filme da franquia Sobrenatural (Insidious). Anteriormente um dybbuk também havia aparecido no filme Possessão (2012). Por sinal, o enredo deste filme gira completamente em volta de uma garotinha que é possuída por um dybbuk que mora em uma caixa.

Antes de Possessão, o mito do dybbuk também aparece no filme Alma Perdida (The Unborn). Os dybbukim também são citados fora da literatura rabínica, como por exemplo, no livro De Amor e Maldade da queridíssima autora Anne Rice (muito conhecida pelas suas Crônicas Vampirescas).

Cada uma dessas obras acima citadas aborda o mito de uma forma diferente, por um ângulo diferente, mas sempre preservando a característica maligna do dybbuk. Há, inclusive, uma lenda urbana sobre dybbukim e um receptáculo rolando há algum tempo pela internet (e sobre a qual o enredo do filme Possessão foi construído), mas isso já é assunto para um outro artigo.