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Opinião | Os quadros das crianças que choram

Das bizarrices mais bizarras que eu já tive conhecimento em décadas de pesquisas sobre histórias envolvendo o que é conhecido como sobrenatural ou paranormal, uma delas é a famosa série de pinturas a óleo que ficaram conhecidas como Os Quadros das Crianças que Choram.

Primeiramente, como vocês já sabem (ou deveriam saber) não é do meu interesse repetir histórias que já foram contadas e recontadas e pesquisadas a exaustão. Eu acho que se vocês quiserem conhecer todas as diversas lendas que envolvem os famosos Quadros das Crianças que Choram basta dar um google e verão uma centena de blogs e sites em diversos idiomas repetindo as mesmas informações e especulações para encher a cabecinha de vocês de fantasmas.

Bom, não é segredo que eu fui uma criança dos anos 80 e me recordo perfeitamente de algumas coisas bastante incomuns daquela época, como por exemplo, minha avó advertindo minha mãe sobre os quadros das crianças que choram, que aparentemente ela havia ganho e queria emoldurar e pendurar na parede, já que estavam super na moda. Quase toda casa tinha um quadro com uma criança chorando.

Agora, alguém pode me explicar por que raios uma pessoa em sã consciência adquire e/ou pendura o retrato de uma criança chorando?

Mas hein?
Eu acho que, sinceramente, o negócio desse quadro não tem nada a ver com os incêndios e azar que dizem que ele atrai. Decididamente, não. A maldição desse quadro está no magnetismo que ele detém e que leva as pessoas a adquirirem tal medonha obra de arte. Só pode ser! Não há outra explicação!

Inclusive, se o meu leitor cavar um pouco mais a fundo esta história, vai descobrir que tem pessoas que relataram não conseguir “desapegar” do quadro. Eu não diria que ele é um quadro incendiário, mas sim, um quadro carente ou para pessoas carentes que precisam de uma criança chorosa para cuidar.

O autor desta incrível obra é Giovanni Bragolin/G.Bragolin, nome artístico de Bruno Amadio. Ele foi um pintor italiano que viveu entre 1911 e 1981. Ou seja, quando veio à tona a história das casas incendiadas onde o único objeto que não queimava era o tal do quadro do menino que chora (e isso foi lá na segunda metade de 1985), o autor das pinturas já estava morto. E não, ele não morreu queimado, morreu de câncer no esôfago.

Sendo assim, qualquer coisa que vocês lerem sobre supostas entrevistas dadas por ele ou declarações post-mortem só podem ter sido feitas por intermédio de médiuns ou tábuas ouijas, porque de qualquer outra forma seria impossível.

"G. Bragolin, você está entre nós? Poderia conceder uma entrevista?"

Sobre as crianças que ele retratou

Eu não queria contar, mas uma fonte confiável diz que ele escolhia as crianças aleatoriamente em escolas e parquinhos de Veneza. Normalmente eram de família pobre e ele as tratava muito bem, ainda que eventualmente pedisse que elas fizessem uma expressão triste enquanto estava as retratando. As lágrimas eram adicionadas no final do trabalho. Mas por quê, hein? Acho que eu nunca vou entender um cara que gosta de pintar crianças chorando.

De acordo com um site mantido em sua memória ele pintou muito mais do que quadros de crianças que choram. Diz que ele também pintou umas paisagens, algumas cenas históricas e coisas da natureza. (Mas nenhuma delas ficou tão conhecida como os quadros das crianças que choram, certeza!)

Por fim, este mesmo site diz que Bruno Amadio foi casado e teve filhos e nunca teve nenhum envolvimento com ocultismo ou magia negra, como algumas lendas contam. É claro que se ele tivesse, também não diriam.

Afinal, imaginem... Se por causa de uma meia dúzia de coincidências já fizeram um mutirão e colocaram fogo em inúmeras reproduções dos quadros das crianças que choram (como podem ver na primeira imagem deste post), após elas serem relacionadas com uma engenhosa maldição, imagina se afirmassem que o artista autor de tais obras tinha parte com o lado negro da força?

Seria uma nova caça às bruxas. Ou melhor, uma caça aos quadros!😆


Bem, meus queridos leitores, eu vou os deixando refletir sobre as incríveis histórias que a mídia pode vincular apenas para conseguir ibope. Que existe muito mais entre o céu e a Terra do que sonha nossa vã filosofia, isso existe. Mas, sejam cuidadosos e escolham bem no que vão acreditar e propagar.

Até a próxima!