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Anne Rice: “Eles foram o 1º casal de pais vampiros do mesmo sexo!”

Olá, leitores! Como eu havia prometido, se houvesse likes e comentários suficientes para eu me sentir motivada a traduzir o restante desta entrevista concedida por Anne Rice ao portal io9 em 2012, eu o faria. Pois bem. Vocês foram ótimos! É muito bom saber que gostaram da primeira parte da entrevista e que ela foi útil de alguma forma, para vocês, fãs e aspirantes a escritores. Então, vamos à continuação!


Lestat deve ser, de longe, uma das suas criações mais famosas. Como ele se sentiria sobre o agora, o mundo de hoje? Deslocado, independente? Ele já teria visto de tudo?

Anne Rice: Eu acho que ele ficaria deslumbrado com a tecnologia. Ele sempre fica deslumbrado com essas coisas. Lestat sempre teve um pé no século XVIII, e ele se lembra do que era viver lá. Ele está sempre deslumbrado, encantado pelo que está acontecendo a sua volta. Seria típico de Lestat entrar em uma drogaria durante a noite e ficar observando as cores de todos os vidros de xampu e como são bonitos. Certamente ele ficaria cada vez mais deslumbrado porque o mundo fica mais interessante e emocionante a cada momento. Eu sei que ele se sentiria assim.

Provavelmente ele estaria esperando pela nova versão do IPhone.

Anne Rice: Não sei se ele estaria esperando, mas ele entraria em uma loja e pegaria um.

Nós ouvimos um boato de que pode acontecer de A Dádiva do Lobo também receber uma adaptação em forma de graphic novel. Ainda é segredo ou...

Anne Rice: Não (é segredo), Yen vai fazer isso. Não sei se será com o mesmo artista, se vai ser a mesma equipe, mas Yen quer fazê-lo. Eu estou bastante entusiasmada.

Existe esse conceito de Louis e Lestat como pais da Claudia, que vemos no livro, no filme e agora também na graphic novel. Quando você conhece a história, sabe que este conceito não é bem naquele sentido moderno que vemos na adaptação. Você se sente bem em relação a esta ideia?

Anne Rice: Claro! (Risos) Claro! Eu nunca pensei nisto! Eles foram o primeiro casal de pais vampiros do mesmo sexo!

Eu fico imaginando se isso não tinha se passado anteriormente pela sua mente.
Anne Rice: Não.

Bom, isso é o que aparenta ser. É muito “ela é nossa filha, agora.”. Então eu posso dizer que eles formam um casal do mesmo sexo com filhos?

Anne Rice: Com certeza! Claudia é a filha deles!

{ Nesse ponto, meu leitor, o entrevistador muda de assunto e de acordo com o que consta no site onde a entrevista foi publicada, começaram a falar sobre como tinha sido para ela escrever o roteiro da versão cinematográfica de Entrevista com o Vampiro. Porém, tais diálogos não foram publicados. }

Anne Rice: Eu gosto de ir à Amazon e ver as pessoas descobrindo agora e o que elas estão escrevendo sobre isso.

Então você fica meio que na espreita? Você procura saber o que os fãs e os críticos tem a dizer?

Anne Rice: Sim, claro. Eu leio tudo (o que escrevem) pelo menos uma vez. Eu não recomendo aos escritores fazerem isso, porque pode ser bastante doloroso ler algumas coisas muito injustas que as pessoas escrevem. Eu não acho que você tenha que fazer algo que vá machucar sua forma de escrever. Não faz muito tempo, eu estava conversando com uma autora best-seller e ela disse que nunca mais foi à Amazon, que ela nunca quer ler o que dizem, e eu entendo. Você não pode fazer nada que vá te ferir, tem que fazer o que é melhor para você.

Anne Rice
Você viveu uma vida tão interessante que a levou a tantos lugares.... Você disse ao New York Times, “Eu era conhecida por viver da minha forma. ”, quando você morava no Haight-Ashbury de São Francisco, no auge da sua juventude.

Anne Rice: Eu não era uma hippie, mas, eu estava no meio de tudo aquilo.

Uma testemunha da História.

Anne Rice: Sim. Foi meio que divertido. Mas eu estudava, estava lutando para ser escritora e não estava nem um pouco afim de desistir – que era o que estava acontecendo com todos a minha volta.

Você escreveu sob os pseudônimos de Anne Rampling e A.N. Roquelaure. Você já sentiu vontade de criar um novo pseudônimo e escrever livremente sob ele?

Anne Rice: Às vezes. Naquela época eu queria fazer algo diferente e escrever algo novo e erótico sem que ninguém soubesse que era eu quem escrevia. Foi o que eu fiz. Os pseudônimos me deram esse anonimato maravilhoso para fazer o que eu queria fazer, porque não era a Anne Rice. Então, imediatamente após a publicação, eu me revelei e os admiti como sendo meus pseudônimos. Mas eu já tinha terminado, estava feito e aquela liberdade tinha sido bastante útil.

É como se você fosse um cantor de rock bastante famoso, estivesse atravessando o país em sua limousine, então avistasse uma pequena taverna e então pensasse: “Bem, eu vou entrar. ”. E quando você entra, há um palco, um microfone, um piano e você simplesmente se senta e canta o que tiver em mente durante quatro horas. É mais ou menos assim. Você não tem que ser o rock-star, você pode cantar coisas antigas e outras que nunca conseguiu cantar em cima de um palco.

Já que estamos aqui na Comic Con e você tem muitos fãs fervorosos aqui, temos que perguntar: você já teve experiências que, no bom sentido, a deixaram deslumbrada ou que a fizeram recuar?

Anne Rice: Não, eles são maravilhosos! Havia algumas pessoas na fila com grandes presas e lentes de contato de gato, e elas foram adoráveis! Eu sempre amei tudo isso, sempre me senti honrada. Eu acho tudo isso incrível!



Eu espero que tenham gostado. Peço, por gentileza, que me deem os créditos pela tradução caso desejem publicar algum trecho em algum lugar ou pelo menos coloquem um link para o Sombriamente. Isso só vai me motivar a trazer ainda mais conteúdo relevante e inédito em língua portuguesa para todos vocês.

Até a próxima.