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Anne Rice: Você tem que ir aonde a dor e o prazer estão.

Primeira parte de um entrevista feita com Anne Rice, traduzida por mim, exclusivamente para os leitores do Sombriamente.

Já fazem uns 15 dias que eu não posto nada sobre Anne Rice, não é mesmo? Pois é porque não aconteceu nada de diferente, não há nenhuma grande novidade em relação aos livros ou à série. Mas, como eu não gosto de deixá-los sem nenhuma informação, eu desenterrei essa entrevista dos meus arquivos por imaginar que muitos dos meus leitores não sabem da sua existência. Ela foi concedida ao site de variedades i09 e publicada em outubro de 2012. Sei que já faz um bocado de tempo, mas eu acho que esse tipo de entrevista é atemporal. É, eu traduzi a entrevista e resolvi publicar aqui para vocês. Caso achem o conteúdo relevante, não esqueçam de deixar seu like no facebook e um comentário ali embaixo.

“Nós nos sentamos com a lendária Anne Rice para falar sobre a nova adaptação gráfica Entrevista com o Vampiro: A História de Claudia, Lestat e Louis como pais do mesmo sexo, conselhos para aspirantes a escritores e como ela se sente em relação à invasão dos vampiros.”
Por que a história de Claudia? Entrevista (com o Vampiro) foi algo que gostaria de ter explorado sob a sua perspectiva?
AR: Eles (Yen Press) sugeriram fazer a adaptação. Eles queriam fazê-la sob o ponto de vista de Claudia e eu achei que seria ótimo. É uma adaptação como um roteiro é uma adaptação, ou uma peça, ou o roteiro de um musical. Tudo isso são adaptações. Eu senti que era completamente legal fazerem a adaptação e fizeram um trabalho muito bonito, realmente muito bonito.

Como é que tem sido o processo colaborativo? Você escreve bilhetes para ela? Aonde vocês trabalham juntas?
AR: Não, na verdade, não. Sabe? Eu não sou uma colaboradora muito boa e quando eu licencio algo, normalmente eu fico fora disso. Exceto o filme Entrevista com o Vampiro para o qual eu escrevi o roteiro. Mas quando começaram a fazer mudanças e a filmar, eu já estava fora do processo. Mas eu confiei que Yen faria a adaptação da forma certa.

O que você acha da graphic novel como um veículo de transmissão?
AR: Eu amo graphic novels. Eu queria que todos os meus trabalhos fossem assim. Eu amo o fato de poderem ser muito mais do que normalmente o são. Anteriormente houve algumas adaptações de Entrevista com o Vampiro e O Vampiro Lestat que foram feitas por empresas que já saíram desse tipo de negócio. Eu me lembro que um determinado ponto, um dos artistas se gabou sobre o fato de que ele não tinha lido o livro. Era algo muito louco.

Como você se sente em relação a explosão de popularidade dos vampiros na última década?
AR: Eu estou intrigada, sabe? Meio que intrigada. Quando eu comecei, não era assim, é claro, houve muita rejeição. Já nos dias de hoje parece ser um mercado bastante ousado.

Eu acho que há um monte de boas coisas que não existiriam se você não tivesse aberto o caminho, porém, agora parece que há um novo filme de vampiro para cada semana. Eu fiquei curioso em saber se você se sente como uma mãe orgulhosa nesse sentido ou se você estava pronta para algo diferente...
AR: Se eu tenho sido uma influência, eu fico feliz. Eu acho que o conceito do vampiro é maravilhoso e muito rico. Eu não ficaria surpresa se outras pessoas que minaram esse conceito surgissem com personagens diferentes, com uma cosmologia ou mitologia diferentes. Isso deve estar para acontecer. Eu acho que teremos vampiros conosco por um bom tempo, como aconteceu com o Faroeste e com os romances policiais. Será como uma história interminável.

Falando em ser uma mãe orgulhosa, seu filho Christopher é escritor. Você o encorajou a continuar o negócio da família ou a seguir esse estilo de vida?
AR: Não, não. Eu nunca o adverti sobre isso. Mas, na verdade, ele me surpreendeu quando ele escreveu seu primeiro romance. Eu não sabia que ele estava trabalhando nisso. Ele saiu do seu quarto com o romance em mão e nós simplesmente ficamos deslumbrados. Ele sempre atuou e escreveu roteiros, coisas assim. No ensino médio, ele era um ótimo ator e eu pensei que ele seguiria nesta direção. Mas, de repente, ele saiu do quarto com um romance e eu fiquei feliz por ele ter escolhido a minha profissão. Foi emocionante.

Você tem algum conselho que daria a ele e que poderíamos estender aos nossos leitores? Quais são os conselhos que você dá aos jovens escritores que os pedem?
AR: Bom, eu dou sempre o mesmo tipo de conselho por padrão. Você tem que ir aonde a dor e o prazer estão e não pode ter medo. Você tem que escrever o livro que você não encontrou na livraria, o livro que você realmente queria ler. Você que tem que escrever um livro que você mesmo gostaria de ler, de viver, de estar dentro dele. Tem que ser assim.

Eu não acho que eu precisei dizer isso a ele, eu acho que ele simplesmente fez isso. Quando você diz a si mesmo “Eu estou escrevendo o livro que eu quero escrever, o livro que não consigo achar, o livro que ainda não foi feito da maneira que eu gostaria de fazer”, isso os ajuda a manter o foco. E claro, nós temos que lembrar sempre que o mundo não quer alguém que soe como qualquer outra pessoa, ele quer uma voz original. O mundo está sempre clamando por vozes originais.


Essa foi a primeira parte da entrevista que é bastanteeee longa. Quer ver a continuação? Deixa um comentário aqui embaixo e me diz o que achou. Ou você também pode simplesmente deixar seu like lá no facebook e um comentário.