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Crítica | Filme Nunca Diga Seu Nome (The Bye Bye Man)

Há algum tempo atrás eu falei sobre este filme aqui no blog. Nunca Diga Seu Nome parecia promissor, apesar de clichê. Pelo menos era o que aparentava ser nos trailers (que contem cenas que foram cortadas do filme na edição final).


Nunca Diga Seu Nome estreou no começo deste ano, mas eu só tive a oportunidade de assisti-lo por esses dias. Até então eu não tinha lido nenhuma crítica ou resenha, justamente para não influenciar minha avaliação desta "obra". Quisera eu ter lido antes, meu leitor.

A Expectativa
“Pessoas cometem atos impensáveis todos os dias. Vez ou outra, nós tentamos entender o que as leva a fazer essas coisas horríveis. Mas e se todas as perguntas que fazemos estiverem erradas? E se a causa de todo o mal não é uma questão de que..., mas de quem? Do produtor de O Espelho e Os Estranhos, Nunca Diga Seu Nome (The Bye Bye Man), um filme de terror e suspense arrepiante que expõe o mal por de trás dos atos mais indizíveis cometidos pelo homem. ”

A Realidade

A trama gira em torno de três universitários que alugam uma casa enorme e meio que sinistra em um lugar esquisito. Estes três jovens são Elliot (Douglas Smith), sua namorada Sasha (Cressida Bonas) e seu melhor amigo, John (Lucien Laviscount).

Em determinado momento da trama, eles se veem às voltas com uma entidade que leva as pessoas a cometerem homicídios e depois darem cabo da sua própria vida. A tal entidade sombria atende pelo nome de Bye Bye Man (que nome é esse?), é interpretado pelo jovem Doug Jones e se apresenta como uma espécie de Freddy Krueger misturado com um Babadook, que anuncia a sua presença derrubando moedas antigas (?) no chão.

Porém, antes de conhece-lo, certamente a vítima verá o seu hellhound (e vamos combinar que é um dos piores CGI que já vi em filmes de terror nos últimos tempos), uma espécie de besta que aparece logo nas primeiras cenas dentro da casa (vide vídeo abaixo).


O negócio é que todos que ficam sabendo o nome da tal entidade, acabam enlouquecendo. Quanto mais pensam nela, mais ela se aproxima.

Agora, me diz como faz para não pensar em alguém que está seriamente ameaçando a sua vida e a de seus amigos? Como não pensar no nome que você não deve dizer? Poxaaaa! Essa é difícil, hein?

Mas, por exemplo, Elliot acha que escrevendo “não pense, não fale” pode evitar pensar no nome da entidade que está enlouquecendo não só a ele, como também os seus amigos.

Tudo bem. Logo se percebe que escrever e repetir esse mantra centenas de vezes não está ajudando a situação ficar melhor. Nem o filme.

Indo direto ao ponto, apesar de todas as cenas sangrentas e de violência explícita, Nunca Diga Seu Nome, é um filme com um roteiro péssimo. Não só pela tentativa falha de fazer uma lenda urbana florescer, mas também porque não há nenhuma história de fundo para sustentar os personagens. Por sinal, nenhum dos personagens é sequer cativante, exceto, talvez, pela garotinha Alice, sobrinha de Elliot, que aparece em poucas cenas, de forma meio aleatória.

Quanto à atuação, temos ali uma péssima escolha de atores que não convencem em seus papéis. Acredite, eu já assisti atuações melhores em filmes feitos por atores amadores. Acho que o melhorzinho do time é o famosinho Leigh Whannell, que interpreta o Larry. “Mas a Carrie-Anne Moss é uma grande atriz!”. Sinceramente? Sua participação no filme é tão breve que nem mesmo dá para fazer uma avaliação sobre a sua performance.

Decididamente, Jonathan Penner (que é o roteirista e faz um cameo, interpretando o Sr. Daizy) deveria parar de se aventurar nesse ramo. Ele pegou uma lenda urbana criada por um escritor norte-americano (sobre a qual falarei em próximas postagens) e fez toda essa lambança que vemos em Nunca Diga Seu Nome.

Como eu disse anteriormente, não há nenhuma história de fundo e eu tenho certeza que até mesmo a péssima atuação dos atores passaria um pouco mais despercebida caso houvesse alguma base para aquilo que estão tentando transmitir para os espectadores. Na verdade, desconfio de que eles mesmos não tiveram contato com a obra original em que o filme foi vagamente baseado e não sabiam o que estavam fazendo.

A direção foi falha em não perceber o tanto de pontas soltas no roteiro (por sinal, a diretora é esposa do roteirista na vida real), de elementos que são mostrados durante o filme e que não se conectam e sequer tem alguma explicação, deixando o espectador a ver navios.

Nunca Diga Seu Nome não é o pior filme de terror que eu já assisti, mas também não é um filme que eu possa indicar como sendo uma obra prima do terror. Não, na verdade eu não o indicaria de forma alguma.

Mas, quem sabe, alguém não tem a brilhante ideia de fazer um remake, daqui uns 30 anos? Ou quem sabe ainda um prequel, explicando melhor a origem desse tal Bye Bye Man?

Naaah! Nãoo! Talvez seja melhor deixar como está.



Ficha Técnica
Estreia: 9 de fevereiro de 2017
País: EUA
Duração: 1h37min
Direção: Stacy Title
Roteiro: Jonathan Penner
Produção: Oren Aviv, Marc D. Evans e Adam Fogelson
Elenco: Douglas Smith, Lucien Laviscount, Cressida Bonas, Doug Jones, Michael Trucco, Jenna Kannell, Carrie Anne-Moss, Leigh Whannell e mais.