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Três historinhas para ler antes de dormir

Hoje é dia de contar aquela historinha de arrepiar. Estas foram baseadas em alguns relatos que li ao longo desses últimos 20 anos e bem, eu espero que tenham uma boa noite de sono quando terminarem de ler.

Historinha #1 - Estou aqui em cima!

Olívia havia se mudado recentemente com seus pais para um antigo sobrado, cheio de quartos e salas enormes. E mesmo tendo apenas doze anos de idade, às vezes acabava ficando algum tempo sozinha em casa quando voltava da escola. Seus pais trabalhavam fora e nem sempre conseguiam chegar em casa antes dela. Ela odiava ficar sozinha naquela casa enorme, mas compreendia que não seus pais não tinham outras alternativas

Como sempre fazia, ao chegar em casa naquele final de tarde, chamou por sua mãe e para o seu alívio a ouviu responder: – Estou aqui em cima!

Ótimo! Olívia correu escadaria acima e ao chegar ao corredor que levava aos quartos, chamou por sua mãe mais uma vez.
– Estou aquii-i! – Olívia ouviu como resposta ao seu chamado. Na época, ela ainda se perdia no labirinto de cômodos que havia naquela casa antiga, mas imaginou que a voz de sua mãe vinha de um dos quartos mais distantes, mais ao fundo do corredor.

A medida que caminhava em direção àquele quarto, ela sentia uma sensação estranha, aquele friozinho que fazia os cabelos da sua nuca ficarem arrepiados. Mas, mesmo assim, continuou avançando pelo corredor, achando que aquilo que sentia era normal e que assim que visse a sua mãe, aquela sensação iria embora. Não havia nada a temer. Sua mãe estava logo ali na frente, dentro de um dos quartos.

Ao menos era o que achava.

Assim que ela chegou à porta do quarto de onde a voz de sua mãe tinha vindo, Olívia ouviu a porta de entrada na casa ser aberta e então a voz jovial da sua mãe ecoar: - Lí, querida! Você já está em casa?

Historinha #2 - A Babá

Anya e Lucas tinham se tornado pais há poucos meses. Entre tantas coisas que haviam comprado para o pequeno Noah, a babá eletrônica tinha se tornado essencial nas últimas semanas. Tinham percebido que o bebê gostava bastante de ficar em seu próprio quartinho, olhando para os mobiles e não havia nada melhor do que ter um aparelho que o monitorasse quando estivessem longe do quarto.

Naquela manhã, Lucas acordou e percebeu que Anya já havia se levantado. Estranhamente, tinha esquecido a babá eletrônica sobre o criado-mudo, mas ele não deu muita atenção para isso. Levantou-se, fez sua higiene matinal e ao pegar a babá eletrônica, percebeu que Noah havia acordado e que sua esposa estava com ele, falando coisas doces, enquanto parecia o ninar.

Não querendo atrapalhar o momento, Lucas desceu as escadas e foi preparar o café da manhã levando consigo o pequeno rádio monitor de bebês. - Durma, meu querido. Shhh. Durma mais um pouco. – ouvia Anya dizer com voz suave para o seu filho e soava tão amável, tão doce que ele não podia deixar de sorrir feliz, grato.

Mas aquele sorriso abobalhado que estava estampado no rosto de Lucas desapareceu quando ele viu a porta dos fundos da cozinha se abrir e logo em seguida Anya passar por ela, carregando um saco de compras do mercado. – Será que o Noah já acordou? – ela perguntou enquanto pegava o aparelho que não emitia mais nenhum som além de ruídos aterrorizantes de madeira sendo partida.

Historinha #3 - Agora é a sua vez

Naquela madrugada o jovem Liam havia acabado de pegar no sono quando percebeu a claridade da luz do corredor entrar em seu quarto. Isso não era incomum. Seus pais de vez em quando levantavam para usar o banheiro no meio da noite ou beber água e acendiam aquela luz. Normalmente sua porta ficava fechada, assim aquela iluminação não o incomodava. Por isso naquele momento, mesmo antes mesmo de abrir os olhos, Liam xingou-se mentalmente por ter esquecido de fechar a porta antes de ir para a cama.

Mas antes que levantasse para fechar a porta, viu um homem sair do quarto à frente, arrastando o corpo ensanguentado do seu pai pelo corredor. Em seguida, o homem voltou para dentro do quarto e arrastou outro corpo para o corredor e Liam prontamente percebeu que era o de sua mãe. Tanto seu pai quanto sua mãe não reagiam e estavam banhados em sangue. Apavorado e ao mesmo tempo petrificado de medo em sua mente adolescente ele imaginava que se ficasse quieto, fingindo que dormia, talvez sobrevivesse, talvez aquele maldito o poupasse.

Tentou manter a calma e a respiração tranquila, por mais impossível que isso pudesse parecer, quando o assassino entrou em seu quarto. Com apenas um dos olhos ligeiramente abertos, viu que aquele monstro escrevia alguma coisa numa das paredes do seu quarto. Algo que naquela penumbra ele não conseguia enxergar, então fechou os olhos e esperou que aquele cara fosse embora. Mas, aparentemente o assassino não iria embora tão cedo, tanto que após escrever o que quer que fosse, escondeu-se debaixo da cama do garoto.

Liam permaneceu imóvel, ouvindo a respiração do assassino debaixo da sua cama, sem saber o que fazer. Após alguns momentos, novamente abriu os olhos só para se esforçar a ler o que havia sido escrito em letras garrafais na parede a frente da sua cama. Quando finalmente conseguiu, a mensagem do assassino fez com que o sangue que correia em suas veias congelasse.

AGORA É A SUA VEZ ... LIAM!