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Conheça o caso que deu origem ao filme Vítima Perfeita

Rachel Barber era uma garota australiana que morava em Melbourne com seus pais e suas duas irmãs mais novas, Heather e Ashleigh-Rose. Desde cedo se interessou pela dança e ao longo de sua curta vida demonstrou que tinha talento e disciplina o suficiente para perseguir seu sonho de ser uma grande bailarina.

Seus pais, Elizabeth e Michael, eventualmente contratavam Caroline Reed Robertson, irmã mais velha de uma das amiguinhas de Heather, para trabalhar como babá das garotas. Caroline era apenas quatro anos mais velha do que Rachel e apesar de ser bem reservada, era educada e cumpria muito bem com seu trabalho de babá.

O tempo passou, os pais de Caroline se divorciaram e ela teve que se mudar para uma outra casa há alguns quarteirões da dos Barber.

Rachel Barber
Rachel Barber
Em 1998, Rachel Barber tinha 14 anos e havia sido aceita para estudar em uma academia de dança conceituada em Richmond. 

Rachel dava duro para conciliar a escola com suas aulas de dança e tinha começado a fazer alguns trabalhos como modelo fotográfico para conseguir um dinheiro a mais, afinal, seus pais não eram ricos e tinham mais duas bocas para alimentar.

Foi por isso que ela aceitou a oferta de Caroline, que entrou em contato com ela por telefone na noite de 28 de fevereiro de 1999, a convidando para participar de um “teste psicológico” no dia seguinte. Rachel Barber receberia o valor de $100, só que não poderia contar para ninguém que faria o teste ou com quem iria se encontrar. Tudo deveria permanecer em segredo. Como eram conhecidas de longa data, Rachel aceitou os termos e apenas comentou com seu namorado que faria um “trabalho pago” após as aulas de dança do dia seguinte.

No dia seguinte, encontrou-se com Caroline e juntas foram ao apartamento onde a ex-babá morava sozinha, sem sequer desconfiar de que aquilo era uma armadilha e ela não conseguiria voltar para casa naquela noite.

A polícia custou a iniciar os trabalhos de busca, a dá-la como desaparecida, porque achavam que se tratava de uma fuga porque ela havia levado alguns itens que jamais deixaria para trás. Não podiam imaginar que isso também tinha sido um pedido de Caroline.

Caroline Reed Robertson
Caroline Reed Robertson
Mas mesmo assim, ninguém conseguia entender como ela havia desaparecido. Quando a polícia começou a investigação, depoimentos foram tomados e uma das colegas de escola de Rachel informou que tinha visto ela dentro de um bonde na noite do desaparecimento, juntamente com outra garota loira e mais velha.

Vizinhos e ex-vizinhos foram interrogados. Até que chegaram ao pai de Caroline, David Reid, que confessou que a filha tinha um comportamento inadequado, que tinha explosões de raiva e um problema sério de baixo autoestima, além de ataques epiléticos. Revelou que há algum tempo atrás havia feito um trabalho sobre a vida e o talento de Rachel.

Mas, foi somente través dos registros telefônicos da véspera do desaparecimento que os detetives conseguiram estabelecer uma conexão entre Caroline e Rachel. Ao chegar ao apartamento que ela ocupava, a encontraram caída inconsciente no chão da sala, provavelmente após um ataque epiléptico. No quarto, acharam uma bolsa com pertences de Rachel, mas nem sinal da garota.

Já no hospital, Caroline Reed Robertson confessou a um detetive que havia matado Rachel e a enterrado próximo a um velho cemitério de animais na fazenda de seu pai em Kilmore.

Então, por que Rachel Barber? Por que ela era a vítima perfeita?

Rachel Barber
Consigo concluir que se trata de inveja e obsessão doentias de uma pessoa com sérios problemas de personalidade.

Caroline Reed era o tipo de garota que se odiava. Odiava seu corpo, seu intelecto, sua vida. Mas, ao invés de tentar colocar um ponto final em sua triste existência, ela criou em sua mente doentia um plano em que supostamente conseguiria roubar a identidade de Rachel Barber e ser “perfeita” como ela.

Primeiro, em posse da data de nascimento de Rachel Barber, tentou obter uma segunda via da sua certidão de nascimento. Depois, arquitetou um plano para matá-la. Um plano quase que perfeito que consistia em atrair Rachel ao seu apartamento, fazê-la comer alguns pedaços de pizza em que ela havia colocado algum tipo de droga e em seguida a estrangular usando um cabo de telefone.

“Feche os olhos e pense em coisas boas. ” — Caroline teria dito a ela enquanto se preparava para ataca-la.

Em outubro de 2000, Caroline se declarou culpada pelo assassinato de Rachel. O único momento em que demonstrou algum sentimento foi quando seu advogado lia em voz alta algumas anotações que ela fizera sobre como se sentia em relação a si mesma. Foi o único momento durante todo o processo que ela derramou lágrimas.

“Eu me sinto como uma alma problemática e torturada que foi jogada em um mundo cheio de anjos. ” — ela escreveu sobre si, certa vez. Em outro momento se compara a um alienígena com coisas horríveis contidas dentro de si.

Em um relatório para a defesa, o psiquiatra forense Justin Barry-Walsh disse que Caroline havia escolhido Rachel Barber por suas qualidades, aquelas que ela não conseguia encontrar em si mesma. “É possível que ela tenha acreditado que, de alguma forma mágica, poderia se reinventar à forma e semelhança da vítima. ” – afirmou o psiquiatra em seu relatório.

Caroline Reed Robertson em 2016
Caroline, então com 21 anos, foi sentenciada a 20 anos de prisão. Durante a leitura da sua sentença, o juiz Vincent declarou que Caroline era uma mulher malévola que havia matado uma garota para alcançar um sonho irrealizável e irreal.

“ Você foi motivada pela inveja que tinha da beleza e da personalidade de Rachel e apesar de tudo, eu estou satisfeito, porque você acreditava que ela provavelmente teria uma vida feliz e bem-sucedida, de um tipo que você achou que nunca experimentaria. ” – disse o juiz a ela. “O que emergiu de todo esse material, na minha opinião, é que você sofre de um transtorno de personalidade profundamente arraigado que contribuiu com a sua conduta e, nesta fase pelo menos, você representa um perigo real para qualquer pessoa que possa se tornar o infeliz objeto da sua fixação. ”

Elizabeth Barber, mãe de Rachel, escreveu um livro sobre o que tinha sido sua vida desde o momento em que sua filha desapareceu até o momento em que Caroline foi presa e sentenciada. Intitulado “Perfect Victim”, o livro foi lançado e deu origem ao longa metragem “A Vítima Perfeita”, estrelado por Guy Pearce, Miranda Otto e Kate Bell.

Em 2016, Caroline Reed Robertson saiu da prisão em liberdade condicional. Sua aparência mudou bastante nos últimos 16 anos, mas será que houve alguma mudança em sua personalidade? Quem sabe? Só o tempo dirá.