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Crítica | A Casa dos Fundos (2012)

Sinopse: Coisas estranhas começam a acontecer quando o casal Chloee Michael Carpenter decide alocar o chalé localizado nos fundos da casa deles para Robert Mars , um misterioso romancista que transforma o sonho de uma família perfeita em um verdadeiro pesadelo.


Eu realmente tive que pensar bastante antes de escrever essa crítica e até mesmo cheguei a assistir A Casa dos Fundos mais de uma vez para ter certeza de que eu não tinha deixado nada passar.

O filme começa com uma família não muito tradicional composta pelo casal Chloe e Michael Carpenter, que ao tudo indica, são casados há pouco tempo. Dessa união, nasceu a pequena Taylor, mas Michael já tinha duas filhas adolescentes do primeiro casamento, Danielle e Rose – interpretadas pelas irmãs Morissa e Alana O’Mara.

Danielle nutre um ódio escancarado pela nova esposa do pai e a explicação é que, segundo ela, mal sua mãe tinha sido enterrada, Chloe – que era sua professora – já estava esquentando novamente os lençóis do seu pai. Rose, bom, não dá para entender muito qual é a da Rose de início porque ela está sempre com os olhos grudados na tela do notebook ou do celular, como muitas outras adolescentes de hoje em dia.

Bom, tudo começa quando o casal resolve alugar com certa urgência o chalé que fica nos fundos da sua belíssima casa. Infelizmente, acontece um acidente com a primeira inquilina e o contrato é desfeito antes mesmo que ela pudesse se mudar. Então, Chloe pede a Rose que coloque novamente o anúncio online e ela prontamente responde que já tinha colocado.

Então os problemas, tanto da família quanto do filme, começam a ficar visíveis com a chegada de Robert Mars, que se diz escrever romances “para um público específico”. Acredito mesmo que o roteirista do filme, Nick Antosca, também deve escrever roteiros de filmes para um público bastante específico, aquele que gosta de ver filmes com histórias sem pé e nem cabeça.

O primeiro problema é que não dá para saber quanto tempo se passou desde a publicação do anúncio até ele ser encontrado por Robert e ele aparecer na casa dos Carpenters. Foi no mesmo dia? Dias depois? Quando foi?

Desse ponto em diante, eu realmente não sei o que aconteceu. Não sei se o roteiro era realmente muito ruim, se houve falhas grotescas na edição ou se o inexperiente diretor Chris Jaymes resolveu queimar alguns dólares por puro prazer.

Não, eu não estou exagerando e eu acho que não posso colocar a culpa somente no roteiro, na edição ou na direção. Acho que todos eles, em maior ou menor grau, conseguiram transformar um filme que tinha tudo para ser um daqueles suspenses dos bons (e quem sabe, até um terror psicológico) em uma verdadeira perda de tempo e dinheiro.

Primeiro, que o público percebe logo de cara que Robert Mars é problema. Sim, todo mundo percebe, exceto os personagens, afinal, todos estão focados demais nos problemas comportamentais de Danielle ou nos ruídos da babá eletrônica.

Mas não é possível que não percebam! Por quê? Por que os Carpenters não se interessaram em fazer um breve levantamento de quem era aquele cara para quem estavam alugando a casa dos fundos? Michael tem duas filhas adolescentes que nadam na piscina que separa a casa dos fundos da casa da frente!

E quando a amiga do casal, Annie (Bellamy Young), simplesmente para de atender os telefonemas e responder e-mails após conhecer Robert em um jantar na casa deles, simplesmente não fazem nada! No máximo, comunicam para a polícia! Okay que o personagem é completamente dispensável para a trama, mas, não deveria ser dispensável para seus amigos, não?

E ela não é o único personagem ligado a família que desaparece e ninguém se preocupa ou parece querer saber o motivo! Não! Ele é apenas outro personagem dispensável e para quem nem os personagens ligam.

Agora, para que serve uma babá eletrônica se ela não é levada para todos os cantos da casa quando o bebê não está presente? Obviamente para as irmãs (e para o assassino) ficarem escutando os papos íntimos do casal quando estão na cama. Com qual finalidade? Ficarem com mais raiva da ex-professora? Por que fariam isso?

Por que infernos tantas garotas jovens e bonitas, em pleno século 21, resolvem se unir numa espécie de culto liderado pelo assassino? Que lavagem cerebral ele faz? Seriam drogas? O que as motiva? O que motiva o assassino? Convenhamos que todos os psicopatas, assassinos em série ou apenas assassinos de ocasião tem uma motivação, por mais esdrúxula ou absurda que pareça. No caso do filme A Casa dos Fundos, os assassinatos parecem organizados, porém sem explicação.

Um outro erro, que eu quero acreditar que foi de edição, acontece quando Robert vai pegar as chaves do chalé para devolver ao Michael – que praticamente o expulsou da sua propriedade – e de repente ele aparece dentro do quarto do casal. Demorou uns dois ou três minutos para entender o que estava acontecendo ali...

Fiquei esperando que no final tudo se explicasse, mas, apesar de notar na cena final algo que me remeteu vagamente ao que poderia ser uma espécie de comunidade, culto como a família Manson dos anos 60, ainda assim ficou sem sentido algum.

Concluindo, o filme a A Casa dos Fundos só deve ser legal para escritores iniciantes que precisam de uma ideia de como não escrever um roteiro. Para o espectador comum é apenas uma grande perda de tempo.