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Review | Filme 1922

Uma coisa eu posso dizer sobre esse filme: se todas as obras de Stephen King recebessem adaptação tão fiel como 1922 recebeu, certamente eu não teria me demorado tanto para assistir a esta produção que chegou ao catálogo da Netflix no final do mês passado. Adaptado de conto homônimo de Stephen King, 1922, sem dúvidas é uma complexa caixinha de surpresas e metáforas.


(CUIDADO! SPOILERS À VISTA!)

O enredo do filme 1922 gira em torno dos acontecimentos que ocorrem após o assassinato de Arlette James (Molly Parker), premeditado e executado pelo seu marido, Wilfred James (Thomas Jane) com ajuda do seu filho de apenas 14 anos, Henry “Hank” James (Dylan Schmid) por pura ganância. Ele não queria que ela vendesse os hectares de terra que herdou de seu pai para uma companhia de laticínios. Já Arlette simplesmente queria vender tudo o que era seu por direito, pegar o dinheiro e ir para a cidade grande, levando Henry mesmo contra a vontade do garoto.

Então, após esgotarem as alternativas, eles chegam a conclusão que seria melhor que Arlette deixasse de existir, por mais terrível que isso soasse.

Movido pelo ódio e pela ganância, Wilfred cria um plano que achava que seria fácil de ser executado, mas na hora de execução as coisas ficam um pouco mais complicadas do que imaginou e não demora que o arrependimento bata não só a sua porta, como também a porta do seu cúmplice, seu único filho.

No entanto, mesmo já que já sentissem algum remorso, a crueldade dos James não para no assassinato de Arlette. Ainda tem aquela cena aterrorizante com uma vaca que é sacrificada para auxiliá-los na ocultação do cadáver. E todas as essas cenas horripilantes se passam em um cenário campestre, com baitas plantações e animais pastando aqui e acolá. Uma bela paisagem que esconde aqueles terríveis segredos.

Por sinal, eu reparei em como os dias ensolarados em meio ao milharal que precedem o assassinato de Arlette vão lentamente dando lugar para dias cinzentos, frios e secos ao mesmo tempo em que os James começam a ter suas vidas viradas de pernas para o ar, ao mesmo tempo em que a culpa começa a pesar em seus corações e o remorso embaralhar e confundir suas mentes e sentidos. Esses efeitos tão sutis e naturais deram o clima perfeito para cada momento do desenrolar do enredo.

Portanto, não espere ver uma porção de explosões, efeitos especiais e audiovisuais, nem cenas de “jump-scare” sem sentido. O ritmo do filme é bem lento, quase arrastado, com algumas pitadas de suspense e com bastante aprofundamento nas características de cada personagem e em como lidam com seus conflitos morais.

Do aspecto técnico, o diretor e roteirista Zak Hiditich fez um ótimo trabalho, sem dúvidas. Cenários, vestuário e clima completamente adequados à época e local em que enredo do filme se desenrola. E sem dúvidas, as produções da Netflix subiram um pouquinho em meu conceito depois dessa adaptação.

O elenco também foi bem escalado, apesar de algumas atuações terem ficado um pouquinho a desejar, o que claramente não foi o caso de Thomas Jane que incorporou o personagem Wilfred James e deu um show de interpretação.

Enfim, 1922 é um daqueles filmes com enredo em que você deve mergulhar de cabeça para sentir na pele todo o seu terror. Não é um filme fácil (e cá para nós, talvez a história jamais devesse ter saído do livro), mas cumpre plenamente com a sua função de entreter o espectador.

Título Original: 1922
Data de estreia: 20 de outubro de 2017
Direção: Zak Hilditch
Elenco principal: Thomas Jane, Molly Parker, Dylan Schmid, Kaitlyn Bernard e Neal McDonough
Música: Mike Patton


Trailer: