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Jack-o'-lantern | A origem das abóboras de Halloween

Desde o século 19, o termo jack-o’-lantern tem sido utilizado pelos norte-americanos para descrever as abóboras de Halloween que conhecemos. Porém, esse termo surgiu no Reino Unido do século 17 para descrever um homem com uma lanterna ou um guarda noturno.


Dessa mesma época, alguns registros indicam que jack-o’-lantern também era um termo popularmente usado para descrever o fenômeno que conhecemos aqui no Brasil como fogo-fátuo – aquelas chamas azuladas que são vistas à noite em locais onde há matéria orgânica em decomposição como, por exemplo, em pântanos e cemitérios.

Apesar de ser um fenômeno cientificamente explicado, o fogo-fátuo (do latim ignis fatuus) sempre mexeu com a imaginação do povo, por proporcionar uma visão bastante fantasmagórica. Por tanto, não é de se estranhar que os povos mais antigos acreditassem que essas chamas estavam relacionadas ao sobrenatural, ao além vida.

De acordo com alguns estudiosos, lá no século 11, o abade beneditino francês conhecido como “Pedro, o venerável” dizia que o fogo-fátuo era a lanterna dos mortos.  Já aqui no Brasil, muito tempo antes da colonização, os índios atribuíam o fenômeno do fogo-fátuo ao Boitatá, uma cobra-de-fogo gigantesca que protege os campos contra aqueles que o incendeiam.

Fogo-fátuo

Mas como foi que o fogo-fátuo virou uma lanterna feita com abóboras?

Entalhar legumes e vegetais sempre foi uma prática comum em muitas partes do mundo e abóboras quase sempre foram cultivadas pelos seres humanos.

Mas, é comum dizermos que o costume de fazer jack-o’-lantern no Halloween, começou na Irlanda. Legumes e vegetais eram escavados, entalhados e iluminados para fazerem as vezes de lanternas durante o Halloween, data em que era celebrado também o Samhain e visto como a época em que as criaturas sobrenaturais (os Aos Sí) e a alma dos mortos vagava pela Terra.

Stingy Jack

No folclore irlandês existe uma história chamada Stingy Jack que conta como surgiu esse negócio de jack-o’-lantern e ela é mais ou menos assim:

Stingy Jack era um ferreiro que se divertia em enganar e pregar peças em todo mundo e numa dessas ele acabou por manipular o próprio capiroto, o levando a subir em uma macieira. Mas, assim que ele chegou lá em cima, o ferreiro correu para entalhar cruzes em volta do tronco da árvore afim de impedir que o diabo descesse. Feito isso, disse ao capiroto que se ele prometesse não levar sua alma para o inferno quando a morte chegasse, ele o soltaria. Acordo aceito, ele raspou as cruzes e o diabão pode descer da árvore e seguir o seu caminho de volta ao inferno.

Muitos anos se passaram e, como é de esperar de qualquer mortal, Stingy Jack morreu. Em seu funeral, um velho amigo colocou alguns nabos em seu caixão, porque esta era a comida favorita do falecido.

Quando o espírito de Jack atravessou a luz e chegou aos portões do Paraíso, São Pedro o impediu de entrar porque ele tinha sido um homem muito malvado em vida e não havia se arrependido dos seus pecados. Sendo assim, ele foi conduzido aos portões do inferno, mas, chegando lá, o diabão manteve a sua promessa e não o deixou entrar. Agora tínhamos um ferreiro apavorado, condenado a vagar eternamente no sombrio Mundo dos Mortos, entre o céu e o inferno.


Zombando de Jack, que não sabia para onde ir pois estava muito escuro, o diabão deu a ele um pedaço de carvão em chamas. Ele tinha a luz que precisava, mas não tinha como a carregar sem se queimar. Pensando numa solução, tateou os bolsos e foi quando descobriu que tinha levado alguns nabos para o além vida. Então, ele pegou o nabo, tirou toda a sua parte interior e ali dentro colocou o carvão em chamas.

Daquele dia em diante, Jack passou a percorrer a terra, sem lugar para descanso, iluminando seu caminho com a chama infernal. Foi então que passou a ser conhecido como Jack-o’-Lantern (Jack da Lanterna, em tradução literal).

Para evitar a visita do Jack-o’-Lantern, os irlandeses passaram a fazer suas próprias lanternas com nabos, batatas, beterrabas, etc..

A teoria da origem céltica

Uma outra teoria associa as abóboras iluminadas com uma prática pagã dos Celtas, onde um nabo ou qualquer outra planta de raiz tuberosa era escavado, entalhado com expressões faciais grotescas e então recebiam em seu interior uma vela, um carvão ou madeira em brasa para que ficassem iluminados e assim pudessem afastar os maus espíritos.

O costume teria sido absorvido pelos cristãos que o colocariam em pratica durante as festividades da véspera do Dia de Todos os Santos (All Hallows’ Day) que acontecia durante o dia 31 de outubro (All Hallows’ Eve), ou seja, o nosso famoso Halloween.

Nessa teoria, as abóboras só começaram a ser utilizadas quando a lenda do Jack chegou aos Estados Unidos por intermédio de alguns imigrantes irlandeses que descobriram que era muito mais fácil criar essas lanternas com abóboras nativas, que eram maiores e mais fáceis de escavar e entalhar.

A teoria das Travessuras

Outra teoria, essa de origem norte-americana, diz que o termo jack-o’-lantern passou a ser utilizado para descrever as abóboras de Halloween após os ataques de um grupo de jovens arruaceiros que gostavam de pregar peças nas pessoas que transitavam pelas ruas à noite. Eles sabiam que podiam entalhar expressões assombrosas na parte externa de uma abóbora oca e a iluminar com uma vela ou qualquer tipo de chama. Feito isso, colocavam as abóboras em pontos estratégicos, em lugares muito escuros, apenas pelo prazer de assustar as pessoas.

A partir de então as pessoas começaram a referir-se à essa abóbora como jack-o’-lantern por causa da semelhança com a chama brilhante e assustadora do fogo-fátuo que só aparece na escuridão.

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Estas foram apenas algumas das várias histórias sobre a origem da abóbora de Halloween. Seja lá em qual você acredite, a verdade é que o jack-o’-lantern se tornou um dos principais símbolos do Halloween e até os dias de hoje ainda serve de inspiração para a criação de diversas histórias fantasmagóricas.

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