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Thomas Edison e seu telefone para falar com os mortos

De máquina de votos à lâmpada elétrica incandescente, Thomas Edison patenteou mais de 2.300 invenções em seus 84 anos de vida. Mas ficou faltando tirar uma do papel: o telefone para falar com os mortos.


Parece engraçada a ideia de ter um dispositivo como um telefone que pudesse contatar diretamente os mortos, lá no além, não? Mas, não seria apenas uma forma mais prática e cientificamente comprovada de comunicação com os mortos? Como disse anteriormente no artigo sobre o Tabuleiro Ouija, desde meados do século XIX as pessoas têm tentado contatar seus entes queridos já falecidos usando todo tipo de parafernália, quando não através de médiuns.

Na década de 1920, Thomas Edison, chocou o público quando disse à American Magazine que estava trabalhando há algum tempo em um novo aparato para verificar se era possível que pessoas que deixaram a Terra pudessem se comunicar com os que aqui permaneceram. Não, não com a ajuda de médiuns ou por intermédio de quaisquer meios ocultos, místicos, misteriosos ou estranhos, mas através de métodos científicos. Após essa declaração, o artefato que nem havia sido inventado ganhou o nome de “telefone dos espíritos” e virou febre.

Na verdade, esse dispositivo jamais viria a ser inventado. Thomas Edison faleceu em 1931 e se estava realmente trabalhando nessa ideia, não deixou nenhum protótipo ou projeto. Por isso, por muitos anos, pesquisadores acreditaram que aquela declaração tinha sido uma brincadeira do inventor. Bom, isso ao menos até uma versão rara de seu diário ter sido encontrada em um sebo francês.

O capítulo perdido do diário de Thomas Edison

Em 2015, o jornalista francês Phillipe Baudouin, encontrou uma versão rara do diário de Thomas Edison em uma loja de artigos usados na França. Para sua surpresa, essa versão continha um capítulo que não foi impresso na edição inglesa de 1948 do Diary and Sundry Observations of Thomas Alva Edison. Esse capítulo falava exatamente sobre a forma como Thomas Edison via o mundo espiritual e de como seria possível o contatar. Baudouin republicou a edição francesa sob o título de Le Royaume de l’au-delà.

Thomas Edison acreditava que a vida era indestrutível e que assim como nossos corpos, a nossa personalidade também tem uma forma física, feita de pequenas “entidades”, semelhante a ideia que temos dos átomos hoje em dia. Ele achava que estas “entidades” poderiam continuar existindo após a morte do corpo, carregando resíduos de memórias e pensamentos aque estavam atrelados à personalidade do indivíduo.

Logo, se essas partículas existiam, elas poderiam se reunir no éter ao nosso redor e, talvez, pudessem ser amplificadas por seu “telefone dos espíritos” como se fosse uma voz humana e gravada por um fonógrafo.

De acordo com Baudouin, o inventor chegou a escrever algumas ideias e teorias para a criação desse dispositivo, embora não haja nenhum registro de que ele tenha realmente o construído e testado. Ele sequer chegou a dar um nome à máquina e se referia a ela como “válvula”, altamente sensível à vibração.

Fonógrafo de Thomas Edison
Posteriormente, algumas revistas publicaram o que seriam esboços do “telefone dos espíritos” de Thomas Edison. Esses esboços mostravam algo semelhante a um fonógrafo, incluindo uma espécie de chifre canelado que continha um eletrodo anexado a uma caixa de madeira contendo um microfone, que buscaria as vibrações daquelas partículas devido a sua alta sensibilidade.

A ideia de Thomas Edison acabou sendo absorvida por estudantes de ocultismo em pouco tempo, embora o próprio inventor tenha questionado a validade dos métodos de um médium, dizendo que eram rústicos e infantis.

Seja como for, desde a morte de Thomas Edison, muitos curiosos têm procurado por alguma pista que Edison tenha deixado sobre como construir e testar o “telefone dos espíritos”, mas sem sucesso até o momento.

Atualmente vemos a tecnologia ser usada por caçadores de fantasmas para comunicar-se com espíritos em dispositivos como geofones e gravadores de FVE (EVP).

Mas, estaria Thomas Edison certo em sua teoria de que nossa personalidade habitam uma “entidade” física, que permanecem vivas depois do nosso último suspiro e podem ser convertidas em voz e ouvidas por um dispositivo que consiga captar vibrações extremamente sutis? O mistério continua e parece estar longe de ser esclarecido.


Fonte visitada em 29/9/2018: Atlas Obscura