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Três lendas sobre La Llorona (A Chorona)

La Llorona (A Chorona, em bom português) é o apelido que foi dado a algumas mulheres que foram amaldiçoadas à vagar entre os mundos, procurando por algo muito precioso que perderam em vida. Mas, o que seria tão precioso que as impediriam de descansar em paz? Por que o seu choro é de partir o coração? Conheça agora algumas das inúmeras lendas sobre a La Llorona, em diferentes países.

La Llorona do Parque Rivera (Montevidéu)

Isso aconteceu há muitos anos no Parque Rivera. Uma jovem mãe solteira e prestes a se casar, aproveitava uma amena tarde de outono para passear com seu bebê pelo parque, conversando com ele e mostrando as belezas da natureza a ele.

Ela contornava o lago, mostrando as aves para o seu filho, quando foi surpreendida por uma súbita mudança de temperatura e uma ventania fria e forte que fazia as copas das árvores frondosas se agitarem. O vento fez com que o céu ficasse escuro em poucos minutos, cobertos por nuvens pesadas de uma chuva que não demorou a começar a cair com força.

Não se sabe muito bem o que aconteceu em seguida, mas um casal disse tê-la visto próximo ao lago e em seguida, desaparecer. Ela nunca mais seria vista com vida.

No dia seguinte, acharam o corpo desta jovem boiando no lago do parque. Mas, infelizmente, jamais conseguiram encontrar o corpo do seu filho. Desde então, a jovem pode ser vista próxima ao lago em noites escuras de outono, trajando um vestido de noiva. Ela caminha em volta do lago, chorando inconsolavelmente enquanto chama por um bebê que não responde a ela há muito tempo.

La Llorona da Costa Rica

Nesta lenda, a Chorona era uma jovem indígena muito bonita, filha de um rei da etnia huetar e que havia sido prometida em casamento a um outro rei indígena.

Mas, na época da conquista espanhola, a jovem apaixonou-se por um rapaz espanhol, que chegou a pedir a mão da garota a seu pai, o que foi recusado, afinal, ele a havia prometido a outro. Mesmo assim, continuaram a se encontrar às escondidas, no alto de uma cachoeira.

Como era de se esperar, a jovem engravidou e teve um filho também às escondidas, mas que infelizmente não demorou a ser descoberto pelo pai da jovem. Por ter desonrado sua filha, o rei desafiou o espanhol a vencê-lo em um duelo.

Tentando apaziguar os ânimos, a jovem mãe interveio e então seu pai revelou que já havia dado cabo da vida do bebê, o jogando do alto da cachoeira. Não satisfeito, ele ainda a amaldiçoou a vagar eternamente ao longo das margens dos rios à procura do seu filho perdido, perseguida por maus espíritos.

Desesperada, ela correu pela floresta, chorando e gritando, enquanto seu pai e seu amado se matavam em duelo. Dizem que por muitas noites ainda se podia ouvir os gritos e o choro da jovem índia que se atirou do alto da cachoeira, para ir em busca do seu bebê.

Desde então, viajantes que atravessam as matas em noites calmas contam que são surpreendidos por gritos ou um choro horrível de mulher, algo tão sinistro que congela o sangue de quem os ouve. São as lamentações de La Llorona, cumprindo a maldição do seu pai e procurando eternamente seu filho.

La Llorona do México

A versão mais popular da lenda de La Llorona no México conta que na época da colonização, havia uma mulher indígena que teve um longo relacionamento com um cavalheiro da alta sociedade espanhola. Durante o período em que estiveram enamorados, ela teve três filhos que eram muito amados por ela. Porém, quando ela começou a pedir ao seu amado que formalizassem o casamento, ele começou a esquivar e a evita-la, provavelmente com medo do que diriam, afinal, ela era uma índia. Não suportando a pressão, ele a deixou com seus três filhos ainda muito pequenos.

Desesperada e sem saber como cuidar daquelas crianças que choravam pelo pai, ela as matou, afogando-as em um rio (ou com uma faca, em outra versão) e em seguida, tirou a própria vida. Desde então, seus lamentos podem ser ouvidos por pessoas que passam próximo ao rio onde ela tirou a sua vida e a de seus filhos.


Estas são apenas três das muitas lendas acerca da figura de La Llorona, sendo esta última, a do México, uma das mais conhecidas.

O folclore acerca da mulher que chora a perda de seus filhos é muito conhecido e difundido por muitos países da América Latina, encontrando semelhanças com várias outras figuras da mitologia e cultura pré-hispânica e europeia. Sobre isso, as origens dessa figura, devo falar nos próximos posts.