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Creepy | Meu encontro com o Rake

O primeiro encontro com o Rake foi há 6 anos, logo após o feriado da Independência.

Eu, meu marido e as crianças havíamos voltado de viagem naquele dia e estávamos exaustos e então,  quando noite caiu, não demorou muito para todos nós pegarmos no sono.

Lembro que quando me levantei para ir ao banheiro, o relógio de cabeceira marcava quase 4 da manhã. Fiz o trajeto normal para o banheiro da nossa suíte, sem nenhuma interferência. Mas, para a minha surpresa, quando eu voltava ao quarto, vi o meu marido sentado em nossa cama, com a cabeça abaixada entre os joelhos que ele abraçava contra o peito.

Apenas voltei para junto dele, preocupada, porém sem imaginar o que poderia estar acontecendo para ele ficar daquela forma. Ele estava tendo um sonho ruim? O que havia acontecido naqueles poucos minutos que deixei a cama? Quando sentei na cama, ele apenas arfou e me agarrou como uma criança agarra seu bicho de pelúcia quando está assustada, mas não disse uma palavra sequer. Passados alguns segundos, ele voltou o olhar em direção aos pés da nossa cama.

O quarto estava escuro e acho que meu cérebro deve ter levado alguns segundos para assimilar o que eu estava vendo e que estava gerando aquela reação em meu marido. Bom, pode parecer loucura, mas havia algum tipo de criatura grande e sem pelos, sentado aos pés da nossa cama, de costas para nós. Parecia humano, mas havia algo errado com a constituição do seu corpo. Eu não saberia dizer o que, mas era algo perturbador, como se ele tivesse sido atropelado ou algo do tipo.


Pensando bem agora, ele parecia o Smeagol do filme O Senhor dos Anéis, só que bem mais alto e menos encurvado e completamente sem pelos ou cabelos. Mas, naquele momento, eu não conseguia associar com qualquer coisa que eu já tivesse visto.

Eu me sentia paralisada e sem palavras, sem sequer conseguir gritar, como em alguns pesadelos. Sim, era exatamente essa sensação que eu sentia: a de estar dentro de algum tipo de pesadelo medonho. Aquilo simplesmente não podia ser real! Não podia!

De repente, aquela criatura se movimentou e, como um animal, engatinhou ao longo da nossa cama até estar face a face com meu marido. Foi quando pude ver que havia algo de realmente errado com seu rosto. Aquela coisa não podia ser humana.

Fosse o que fosse, segundos depois "aquilo" rapidamente desceu da nossa cama e seguiu para o corredor.

– MEU DEUS! O QUARTO DAS CRIANÇAS! – de repente, meu marido gritou.


Foi nesse momento que eu e meu instinto despertamos para aquela realidade e então, aos gritos, pulei da cama e corri para acender as luzes, planejando deter aquela coisa antes que ela chegasse perto do quarto dos meus filhos.

Não demorou para eu alcançar o corredor e a luz do meu quarto era o suficiente para ver “aquilo” agachado e curvado há cerca de uns 5 metros de distância. Então ele se virou e olhou diretamente para mim e como se saído do meu pior pesadelo, ele estava coberto de sangue. Acendi a luz do corredor e pude ver minha filha caída no chão, com as roupas ensanguentadas.

A criatura correu escada a baixo, fugindo pela porta da frente, enquanto eu e meu marido corríamos para acudir nossa filha. Ela estava gravemente ferida, mas ainda com forças para dizer algumas palavras.

– Aquele...é...o Rake. – ela dizia repetidamente, com a voz entrecortada e quase desaparecendo.

Totalmente em choque, gritando comigo como nunca havia feito, meu marido pegou nossa pequena no colo e a colocou no carro para leva-la ao hospital. Ele não permitiu que eu fosse junto, dizendo que eu deveria ficar em casa com Justin, nosso outro filho.

Eles nunca chegariam ao hospital. No caminho, o carro saiu da estrada e voou para dentro de um rio, onde afundou antes que a ajuda pudesse chegar. Infelizmente, nenhum dos dois sobreviveu.

Após quase um ano dessa noite terrível, eu e o Justin voltamos a morar na casa onde tudo aconteceu. As autoridades não haviam conseguido solucionar o caso e os jornais locais não tinham tido grande interesse em divulgar a minha história. Mas, mesmo assim eu soube que o Rake tem aparecido para outras pessoas há muito tempo e em todas essas vezes, o caso sempre foi "abafado" pelas autoridades e pela imprensa local.

Sim, é cada um por si.

Como tenho tomado remédios para dormir desde aquela noite, resolvi colocar um gravador na minha mesa de cabeceira (já que não tenho uma câmera) todas as noites antes de dormir. Dia desses, numa dessas gravações, pude ouvir uma voz estridente murmurando algo que ininteligível. Era familiar e eu tenho certeza que era do Rake.

Eu espero que Justin não tenha a ouvido e nunca a ouça.

Ah, meu querido Justin! Sentimos saudade dele.

Será que ele um dia vai conseguir esquecer a cena grotesca que viu naquela madrugada quando foi ao meu quarto? Será que vai sempre lembrar de como eu era em meus melhores dias?

Queria poder dizer a ele que não lembro de ter sentido qualquer coisa naquela noite. Nada além de pavor ao sentir os olhos do Rake sobre mim.

Queria poder protegê-lo, mas eu não consegui sobreviver ao meu encontro com o Rake.



Creepyconto criado por A. Mari. Baseado em uma história supostamente real.